09.10 - Malta
O condicionador de ar do quarto acordou não ligando. Desta vez, não fiz como o Silvio Almeida e não tentei colocar nada inapropriado dentro dele, mas mesmo assim entretenho a ideia de que posso ter quebrado mais um aparelho, de tanto apertar botões no controle remoto para tentar deixá-lo mais silencioso. E, com isto, passar ter que uma noite de calor, com a janela aberta, brigando com pernilongo.
O dia iniciou, como sempre, com aquele sol ardido que, sinceramente, já deu no saco. Mas também muito úmido, simulando uma Manaus mediterrânea, o que é estranho, porque ontem estava só quente, mas seco, e o mar continua aqui no mesmo lugar, de onde vem todo este abafamento?
Começamos o dia invertendo a agenda, e indo pra uma praia perto do hotel. Não como as da Croácia ou Sardenha, mas decente. Com ela, já é minha quarta entrada no mar em três semanas, como um oligofrênico bobão molhado, depois de umas 2 décadas sem quase sequer chegar perto de uma praia, quanto mais entrar nela. É como não ser patolado por um homem forte e bonitão desde meu professor de karatê da Adolescência, o inenarrável Totinho, e então um dia entrar num banheirão de rodoviária e ficar 3 dias trancado lá dentro, em transe, me esbaldando.
E a arquitetura em Malta é meio como companheiros de sauna gay. Um é bom, dois é melhor, três é sublime, mas a partir do vigésimo, fica tudo meio igual e saco cheio. Sem muito mais o que fazer, tendo desistido de tomar um barco pra ir parar em Gozo, achando que o deslocamento renderia pouco mais do que só alguma piadinha quinta série no blog, passamos o resto da manhã enrolando em Victoriosa, outra das cidadezinhas, e depois fomos enrolar de novo em Valletta, sempre tendo que desviar das súcias de turistas, que insistiam em ocupar nossos lugares na sombra e encarecer o preço de nossa comida, até às 5 da tarde, quando saia a free tour, pra então passar uma terceira vez pela frente dos mesmos locais.
Apesar da estampa pouco imponente da guia, a caminhada foi decente, old school, com bastante informação interessante, finalmente deu pra aprofundar um tiquinho mais a relação com alguns dos locais aos quais eu já sabia chegar de cor, de tanto passar pela frente.
Depois de mais algum tempo de espera, fomos assistir a uma apresentação de música eletrônica. Apesar de paga, a 8 euros por pessoa, tudo muito informal, numa salinha alugada de um museu, com o próprio artista recebendo as pessoas, todos sentados desconfortavelmente no chão. Conversei um pouco antes com o cara, procurando entender as maquininhas na bancada, sem nada semelhante a um teclado entre elas, perguntei quanto de fato ele tocava ou apenas apertava botões para acionar sequências pregravadas. Disse que não, que havia bastante coisa a ser tocada, porém, na hora H, simplesmente soltou uma música já existente em seu notebook, e passou os próximos 40 minutos apenas girando botõezinhos numa caixinha, que sequer causavam algum efeito de modulação perceptível sobre o que estava sendo tocado. Na apresentação seguinte, de uma colega sua, nem música havia, apenas depoimentos gravados, em maltês, uns efeitos sonoros, e ela lá girando botõezinhos pra dar o truque.