09.09 - London
Londres é como aquela tia de peitos siliconados e libélula tatuada atrás da orelha que você conheceu na academia, frequentou bastante por algum tempo, depois deu uma enjoada, mas sempre volta, mais ano ou menos ano, pra botar o assunto em dia. A diferença é que Londres tem uma quantidade bem maior de reentrâncias, lugarzinhos e buracos pra serem explorados, ainda que, como também no caso da tia, os mais importantes acabem fatalmente sendo revisitados.
Depois do, como é comum, estrondoso insucesso de meu primeiro disco com canções de musicais, o intragável Aderbroadway, era hora de voltar pra cá, assistir mais alguns novos shows, e buscar inspiração para o volume 2, que certamente será ainda mais horrível. E não custava ser legalzinho pra variar e levar minha acompanhante terapêutica pra espiar lá pela grade do palácio de Buckingham, ver alguém sendo esfaqueado por um terrorista na frente do Big Ben e coisa e tal.
Foi um dia sem chuva, em Londres, o que já não é pouca coisa. Apesar das mochilas menos pesadas, o hotel era próximo da estação de trem, e nos deixaram entrar adiantados, então deu pra começar a bater perna já pouco depois do meio-dia.
Um tarde inteira dando passadinhas em um museu em seguida do outro, afinal aqui quase todos são saborosamente gratuitos, vendo uma coisinha aqui, outra ali, como se estivesse lá na sauna gay, com um monte de rapazes ao redor, dando aquelas três bombadinhas e depois já partindo pro próximo, porque já tinha outros atrás na fila. Ou na fila atrás, sei lá.
E então, depois de um jantar precoce em um McDonald's, onde entramos pra comer McFish mas acabamos pedindo outro sanduíche que parecia bem diferente, mas, na real, era extremamente igual, era chegado o grande momento: De Volta para o Futuro, o Musical! Pena de vocês aí na Marçalândia, que têm que se contentar com o Gianecchini Priscilla fazendo bichice!
Só aí me lembrei de que havia comprado ingressos na primeira fileira, mas baratinhos, porque ficavam na boca das caixas de som, com aviso no site alertando para o som ensurdecedor.
No final, o som estava bem tolerável, a primeira fileira dificultava enxergar o fundo do palco, mas em compensação na frente os atores estavam ali a dois metros de distância. Deu até pra ver a calcinha da menina. O musical começou e pensei "ok, decentezinho". Mas depois foi crescendo, com músicas melhores, efeitos especiais muito inteligentes, e, no final, foi muito bacana mesmo! Por 20 libras, enquanto naquela bomba do Senhor dos Anéis, morreram 25.